Cientistas desenvolvem nova técnica que faz as células serem resistentes ao HIV

Cientistas desenvolvem nova técnica que faz as células serem resistentes ao HIV

Em um grande novo estudo, cientistas conseguiram vincular anticorpos combatentes de HIV a células imunes, fazendo uma população de células resistentes ao vírus. Dentro de condições laboratoriais, as células não só substituíram as células infectadas, mas elas também impediram a dispersão da infecção e forneceram uma proteção de longo termo. O estudo foi publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”, um catálogo virtual de artigos científicos das universidades dos Estados Unidos.

HIV é o vírus da imunodeficiência humana, uma infecção que ataca o sistema imunológico. Embora uma pessoa tenha sido curada, ainda não há uma cura definitiva para o HIV. Desde a gênese da epidemia, é estimado que 35 milhões de pessoas já morreram por causa do vírus.

Atualmente, as drogas antirretrovirais são boas em controlar a infecção do HIV, mas elas não eliminam o vírus. Pacientes que param de tomar seus remédios sofrem de uma rápida retomada na replicação do HIV.

Esse novo método difere das outras terapias no sentido de que os anticorpos se grudam na superfície da célula, bloqueando o vírus de acessar um receptor celular crucial e se replicar. Em outras terapias, uma concentração de baixa densidade de anticorpos flutua pela corrente sanguínea.

A nova técnica usa o “efeito vizinho” (sempre bom ter um vizinho que ajuda!), onde um anticorpo próximo é mais efetivo do que aqueles flutuando na corrente sanguínea.

De maneira simples, os pesquisadores forçaram as células doentes e as células resistentes a competirem em uma arena criada no laboratório de Jogos Vorazes. No final, as células sem os anticorpos atrelados a elas morreram, deixando as células protegidas para se multiplicarem e passarem adiante sua proteção genética a outras células.

“A meta é controlar o HIV em pacientes com AIDS sem a necessidade de outros medicamentos”, disse John A. Zaia, diretor do Centro de Terapia Genética do City of Hope.

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Imagem das células protegidas do rinovírus, se desenvolvendo bem e formando colônias.

Especificamente, a equipe primeiro testou sua técnica contra um rinovírus, que é responsável por diversos casos da gripe comum. Eles então usaram um lentivírus para entregar um novo gene que instruía as células a sintetizar anticorpos que se anexam ao receptor celular que o rinovírus precisa.

Embora no começo o caso não tenha corrido conforme o planejado, o estudo obteve grande sucesso nas próximas 125 horas, e então voltou aos níveis normais. Esse sucesso os levou a testar a mesma técnica com o HIV.

Todas as marcas de HIV precisam se prender a um receptor superficial chamado CD4, então os cientistas encontraram e usaram um anticorpo que protege esse receptor. Eles então introduziram o vírus nas células para ver se tinha funcionado – e funcionou! A população das células tinha se tornado resistente ao HIV.

“Isso é mesmo uma forma de vacinação celular”, disse o autor principal Richard Lerner, do The Scripps Research Institute.

Embora mais trabalho seja necessário antes de começar os testes clínicos, essa descoberta foi animadora. Embora outra pesquisa também foca em usar anticorpos específicos para mirar no vírus, a equipe forneceu outra prova do conceito, que eles então vão refinar ainda mais em experimentos futuros.

Fonte: IFLScience