Conheça a história sinistra sobre o reformatório Dozier School for Boys

Conheça a história sinistra sobre o reformatório Dozier School for Boys

Conhecido também como Arthur G. Dozier School for Boys, o Reformatório Dozier, que está localizado na cidade da Flórida – EUA, foi fundado no mês de janeiro de 1900. O local fechou suas portas exatamente no dia 30 de junho de 2011. O colégio prometia corrigir adolescentes delinquentes e também transformá-los em pessoas dignas de viver em meio a sociedade, contribuindo com o pais.

A instituição abrigava vários jovens que eram acusados, condenados e presos por muitos crimes, como roubos e assassinatos, alguns eram mandados para lá por não irem à escola e manter um mau comportamento. O colégio chegou a receber crianças de 5 anos de idade. No inicio de suas atividades eles recebiam crianças e adolescentes de ambos os sexos e todos eram separados por gênero e “raça”, porém no ano de 1913, um novo reformatório foi construído, e nele ficariam somente garotas que carregavam um comportamento inapropriado, e com isso Dozier se tornou um reformatório somente para os garotos infratores.

Dozier ocupava uma área de aproximadamente 6 quilômetros quadrados e com isso se tornou uma das maiores instituições com essa atividade nos EUA. O problema começou a surgir com o método que era utilizado na intenção de “reformar” os jovens que estavam causando problemas para suas famílias e também para a sociedade. Os funcionários e responsáveis pelo reformatório se esforçavam para que os jovens aprendessem a se comportar de uma forma melhor, só que com isso alguns casos de abusos começaram a ser registrados diariamente, e isso começou a acontecer logo depois que o colégio completou o seu primeiro ano.

Histórico assustador

Um relatório feito pela Universidade do Sul da Flórida (USF) no inicio do ano de 2016, mostrou uma pesquisa bem detalhada do que os jovens sofriam lá dentro, isso só foi possível com ajuda de muitos profissionais que estudam o comportamento humano, eles analisaram os acontecimentos entre os anos de 1903 e 1913, e com isso 6 investigações foram conduzidas e apontaram casos de extremos abusos como: crianças passando fome, acorrentadas, trabalho escravo e sem o acesso devido a vestimentas.

Mesmo depois de receber muitas denúncias, os funcionários e diretores do reformatório não se intimidam e continuaram praticando os maus-tratos contra os jovens que estavam lá. As investigações acusavam que os castigos eram extremamente severos, pois, entre os anos de 1900 e 1973 aproximadamente 100 crianças morreram no local.

Alguns casos só foram descobertos graças ao grupo “White House Boys”, fundado por jovens que sobreviveram as torturas praticadas no reformatório. De acordo com os relatórios, punições físicas como espancamentos e surras eram comuns, alguns jovens também relataram que no local aconteciam inúmeros abusos sexuais entre os detentos. Entre os detentos que estavam lá por mau comportamento também havia crianças que eram órfãs e não tinha para onde ir, por isso se tornavam moradores do reformatório.

Jerry Cooper, um dos sobreviventes. 

Jerry Cooper, um dos homens que fazem parte do grupo White House Boys, conta que muitos dos garotos que eram mandados para o reformatório, eram pegos fumando na escola ou por estar fazendo algum tipo de arte, e não significava que eles eram um perigo para a sociedade, como eram descritos. Ele conta que muitos poderiam ser beneficiados com orientações e ajuda de psicólogos, mas isso não era oferecido pelo reformatório.

Desenterrando o passado

Pesquisadores Planejando as escavações no cemitério do reformatório.

Conforme relatórios feitos por estudiosos da USF, uma grande área do reformatório abrigava um grande cemitério, e escavações feitas no local mostrou a existência de muitas sepulturas sem qualquer placa que identificasse o corpo que ali estava. Foram encontradas 55 covas e 51 ossadas, exames de DNA foram realizados e com isso foi possível identificar apenas sete cadáveres e 14 suspeitas.

Os investigadores descobriram que algumas mortes eram simplesmente ignoradas pela diretoria do local, por isso não foram achados documentos que explicasse o motivo das mortes ocorridas dentro do reformatório. Alguns casos explicados nos documentos mostram doenças comuns como gripes, pneumonia, afogamentos, traumas físicos ou queimaduras graves.

Alguns jovens também eram assassinados a tiros por tentar fugir da instituição. Os exames realizados nas ossadas revelaram que muitos dos jovens chegavam a passar fome, e com isso apresentavam deficiências nutricionais, baixo crescimento e desenvolvimento ósseo.

Foi comprovado que 67% dos garotos sepultados eram afro-americanos, e 35% das mortes eram completamente sem explicação, 20% eram de garotos brancos e 44% eram negros. Outro fato que os pesquisadores descobriram era que as famílias das vítimas só eram comunicadas depois de dias ou meses que seus jovens eram sepultados.

Com a ajuda do trabalho dos pesquisadores das USF, muitas perguntas sobre o passado assustador do reformatório foram esclarecidas, e com isso muitas famílias conseguiram descobrir o que seus familiares viveram no local, podendo dar a eles um enterro merecido.

Realmente, os relatórios geraram uma grande discussão sobre a possível conversão do cemitério em um belo memorial em homenagem aos jovens. Os governadores da Flórida possivelmente serão obrigados a arcar com os gastos de novos funerais e lápides para nomear as sepulturas de todos os garotos que foram vítimas das inúmeras crueldades do reformatório.

Também corre boatos de possíveis indenizações aos sobreviventes e familiares das vítimas, acompanhado de um pedido de desculpas a todos os envolvidos, encerrando de uma vez por todas esse passado cruel que o sistema prisional aplicava nos menores infratores dos EUA. O que a população espera é que erros bárbaros como os ocorridos no reformatório não voltem a acontecer.

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