O cão selvagem mais raro do mundo não foi extinto

O cão selvagem mais raro do mundo não foi extinto

Após décadas de dúvidas, pesquisadores redescobriram o “cão selvagem mais raro do mundo” – o cão selvagem das montanhas de Nova Guiné. Quem é um bom garoto?

A descoberta veio através de recentes expedições pela Universidade de Papua, nas montanhas de Nova Guiné. Construindo em 30 anos de trabalho pelo dr. I Lehr Brisbin, da Universidade de Georgia, eles rastrearam as pegadas e fezes dos cães selvagens para fazer previsões sobre seus paradeiros. Eles então usaram tocas escondidas, iscas de cheiro e armadilhas de câmeras para conseguir documentação fotográfica. Através de sequenciamento de DNA coletado das fezes e de outras amostras biológicas, a Fundação do Cão Selvagem das Montanhas de Nova Guiné dizem ter confirmado que eles ainda “existem e persistem nestas montanhas de Nova Guiné”.

No geral, eles coletaram centenas de imagens dos cães na vida selvagem, incluindo ao menos 15 individuais de machos, fêmeas e filhotes. Os fotógrafos subiram a até 4.600m acima do nível do mar, ao longo do Monte Puncak Jaya, no remoto dorso montanhoso central de Nova Guiné. Isso faz dele o maior e único predador alfa em toda a ilha de Nova Guiné.

Há mais de 200 destes cães em cativeiro, mas não havia evidência de que eles ainda habitavam a vida selvagem natural. Outras observações e fotografias “potencialmente acreditáveis” surgiram pelos anos; contudo, muitos acreditam que era simplesmente outra subespécie, o cão cantor de Nova Guiné, ou uma versão geneticamente “diluída” de outros cães.

Aqui é onde as coisas não ficam tão nítidas. Há um debate entre a comunidade científica sobre se o cão das montanhas é suficientemente diferente (em termos genéticos) para ser distinguido do cão cantor ou mesmo do dingo australiano.

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Para tentar esclarecer a confusão, os cientistas do projeto esperam analisar mais profundamente o DNA do cão das montanhas. A equipe observou que há uma publicação científica completa a caminho, então vamos aguardar.

A Fundação do Cão Selvagem das Montanhas de Nova Guiné diz que esse é um cão particularmente fascinante, já que a espécie pode ser uma relíquia da família canidae (que inclui cães domésticos, lobos, raposas e chacais) de um tempo antes da agricultura e domesticação humanas, portanto livre das pressões de criação seletiva dos humanos. Contudo, isso também está sendo debatido.

A Fundação do Cão Selvagem das Montanhas de Nova Guiné disse em um depoimento: “Estudos mais profundos são não apenas a chave para a medição da saúde e equilíbrio do ecossistema em que esses cães habitam, mas também vitais para a compreensão da genética dos cães e dos humanos, da co-migração e da coevolução. Desvendar os segredos do Cão Selvagem das Montanhas é também nos entendermos melhor e a nossa história”.

Fonte: IFL Science.