Os animais usam drogas na vida selvagem?

Os animais usam drogas na vida selvagem?

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O desejo de experienciar estados alterados de consciência é algo que uniu praticamente todas as culturas e civilizações humanas desde o princípio. Ainda assim, nós não somos a única espécie a procurar substâncias que alteram nossa mente, e vários animais mostraram propensões similares a drogas, seja pra fins medicinais ou simplesmente pela emoção.

Na verdade, a lenda conta que a história de Rudolph, a rena do nariz vermelho, e seus amigos voadores tem origem na Sibéria, onde o altamente alucinógeno cogumelo agárico-voador cresce em abundância. Contendo o componente psicodélico “psilocybin”, o cogumelo salpicado de branco e vermelho pode ser tóxico para humanos, mas é seguramente metabolizado pela rena.

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Os animais frequentemente são vistos agindo chapados após ingerirem os cogumelos, dando luz à ideia das renas voadoras do Papai Noel. Dizem até que alguns xamãs siberianos bebem a urina dessa criatura intoxicada, já que ela provém uma versão menos tóxica da “psilocybin”.

Muitos animais também tem um gosto para álcool, com abelhas bêbadas sendo um exemplo clássico. Quando o açúcar no nectar é fermentado por fermentos naturais, ele se torna tóxico para os insetos que o coletam, fazendo com que as abelhas caiam num estupor de bebida.

Contudo, retornar para a colmeia bêbado é um grande passo em falso, e os trabalhadores cuidando da entrada da colméia muitas vezes se nega a deixar qualquer um que esteja sob a influência do álcool.

Outro animal que se alimenta do néctar fermentado é o “musaranho de cauda de caneta”. Contudo, diferente das abelhas, o musaranho consegue metabolizar esse álcool em etil-glucuronídeo, que é então encorporado em seu pelo.

Os macacos-vervet, enquanto isso, desenvolveram um apetite para bebidas após serem transportados da África ao Caribe, vários séculos atrás. As chegadas mais cedas regularmente procuravam cana-de-açúcar fermentada, e estudos recentes descobriram que a maioria dos macacos agora prefere soluções alcoólicas do que água com açúcar quando dadas as opções.

Com exceção do rum, o outro exportado famoso da América Latina é a cocaína, que é produzida pela planta da coca nos Andes, como um tipo de pesticida. A maioria dos insetos morrem se eles ingerirem, embora uma lagarta chamada Eloria noyesi é imune aos efeitos da cocaína, graças ao fato de que seus transportadores de dopamina são resistentes ao efeito da droga.

O inseto então desenvolveu um apetite pela folha da coca, e o governo colombiano brincou no passado com a ideia de liberar as lagartas nas plantações ilegais da coca.

E embora a cocaína seja uma das drogas mais viciantes conhecidas pelo homem, a folha da coca também tem um valor medicinal. Mastigá-la ajuda a aliviar tontura de altitude, o que é extremamente útil nos altos dos Antes. De acordo com algumas lendas, os benefícios das folhas foram descobertos primeiro por pastores antigos de lhama, após perceberem que os animais se tornaram mais móveis quando mastigando a planta.

Opioides são outra classe altamente viciante de drogas, e são responsáveis por um enorme número de mortes todos os anos. Na Austrália, sabe-se que os pequenos cangurus agem estranhamente após ingerir papoula – a planta de onde a heroína é produzida. Um oficial do governo recentemente destacou o problema em um debate parlamentar, explicando que os marsupiais tendem a ficar “altos como uma pipa” e vagar por aí, criando círculos nas plantações.

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Assim sendo, enquanto os filósofos e os antropólogos tenderam a buscar liderança na jornada para entender as raízes da fascinação universal da humanidade por estados alterados de consciência, os biólogos evolucionários podem na verdade estarem melhor equipados para resolver esse enigma. Dado o número de espécies diferentes que usam drogas, é altamente possível que o impulso para sair de nossas mentes pode ser um produto de herança evolutiva.

Fonte: IFLscience.com

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