Saiba qual era a doença do século 19 que impedia as mulheres de andar de bicicleta

Saiba qual era a doença do século 19 que impedia as mulheres de andar de bicicleta

No fim do século 19, o uso da bicicleta como um transporte já estava presente em vários países. As mulheres também passaram a utilizar veículos de duas rodas para se locomover, e isso se tornou alguns dos primeiros sinais do feminismo e da independência feminina.

Talvez esse seja um dos reais motivos pelo surgimento de uma “doença” relacionada com a utilização da bicicleta, fazendo com que muitas mulheres abandonassem e ficassem com medo de continuar usando a bicicleta para ir e vir. A tal condição ganhou o nome de “rosto de bicicleta”, que fez com que os médicos começassem a alertar o que poderia acontecer com aquelas que insistem em usar a bicicleta.

Mas o que realmente era essa “doença” misteriosa? De acordo com os médicos da época, a força que era feita para pedalar, a posição vertical em duas rodas e o esforço bruto para conseguir manter o equilíbrio poderia oferecer uma expressão fatigada e cansada nas mulheres. Porém, essa condição era destinada somente ao público feminino.

Os médicos daquele tempo explicavam que o resultado desse esforço deixava as mulheres coradas demais ou sem cor, com os lábios desfigurados, expressão de cansaço e olheiras. E tem mais, a “doença” também poderia deixar as mulheres ciclistas com a mandíbula rígida e apertada e os olhos extremamente saltados para fora. Será que tudo isso seria uma maneira que os homens acharam de cortar essa liberdade do sexo oposto? Fazendo com que as mulheres não se tornassem independentes naquela época?

A invenção de uma doença

Essa doença também foi discutida no ano de 1897, no periódico médico National Review, em que o médico britânico A. Shadwell ressaltou sobre os possíveis perigos causados pela bicicleta, especialmente nas mulheres, descrevendo “o ciclismo como uma moda, que tem sido realizado por pessoas não capacitadas para pratica-lo”.

Além do mais, essa condição chegava a ser afirmada por médicos como algo durável, enquanto outros afirmavam que se a pessoa ficasse um tempo longe da bicicleta os sintomas provavelmente desapareceriam gradualmente. Entre as pessoas judias, isso era ainda pior, pois eles falavam que quem andasse de bicicleta de domingo, era culpado e condenado pelo ato.

Certamente essa época era de grande terror para as mulheres, e com certeza, essa doença da “cara de bicicleta” não existia, o que nos leva a questionar o porquê os estudiosos estavam tão atentados com isso? Será que tudo isso estava acontecendo por influência dos maridos, pais e de toda sociedade machista?

Como citamos acima, era sim mais ou menos isso. No ano de 1890, na Europa e também na América do Norte, a bicicleta passou a ser vista como uma ferramenta do feminismo. Que oferecia para o sexo feminino grande mobilidade, além de uma redefinição da feminilidade, moda e atitude. Já para os homens, se tornou apenas um “brinquedo”, mas para as mulheres a bicicleta fez com que um novo mundo fosse conquistado, no qual oferecia liberdade e esperança.

A chegada da bicicleta causou reações negativas entre os médicos e os homens da sociedade, e, por isso, acabaram arquitetando numerosos problemas para que as mulheres deixassem de lado esse meio de locomoção, dizendo que isso seria desgastante e inadequado para elas.

Os estudiosos da época afirmavam que o uso do veículo não oferecia somente a doença do “rosto da bicicleta” como também insônia, palpitações, depressão, dores de cabeça e cansaço físico. Porém, ainda no ano de 1897, a doutora Sarah Stevenson Hackett, de Chicago, revelou que o uso da bicicleta não proporcionava nenhum risco para a saúde das mulheres e que, na verdade, ela trazia inúmeros benefícios e melhoras na saúde da mulher.

Essa afirmação certamente causou um grande alivio para inúmeras mulheres que gostavam de praticar o ciclismo, mas provavelmente esse mito envolvendo a doença causou grandes perturbações por anos e anos, fazendo com que muitas delas ainda ficassem com medo de pedalar e colocar a saúde em risco, como afirmavam os médicos que eram contra o ciclismo feminino.

Qual é a sua opinião sobre a “doença”?

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